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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Carta a Madre Alice

Tu és para mim a nascente pura e cristalina onde eu, pequenina gota de água, vivi, só mais tarde o avaliei, os melhores anos da minha vida. Em todos esses anos, sempre encontrei em ti, a Mãe, a Mestra, a Amiga, a Confidente.
Até que chegou inevitavelmente a hora de nos separarmos. Nesse momento havia em mim, amargura, receio, mas tambem curiosidade de conhecer o que estava para além do meu horizonte e uma certa ansia de liberdade que as tuas “águas” me pareciam estreitar para conter. Pobre de mim que então não sabia quanto essa liberdade podia ser enganadora, como ela poderia ser apenas prisão sem grades, escravatura sem grilhetas. A verdadeira liberdade, estava dentro de mim, no meu coração puro, no meu espirito leve, como se asas tivesse. Os anos passaram, muitos foram já, muitos mais me parecem.
Hoje, meio perdida neste imenso “ mar da vida” eu sinto saudades do aconchego de nosso pequeno regato.
E quando as ondas alternosas me derrubam e quase me fazem sossobrar, mais me invade a nostalgia das tuas “águas “ tranquilas.
E quando os escolhos, que abundam neste “mar”, me envolvem, me tolhem, me arrastam para o fundo lamacento e viscoso, me olho e me não reconheço, tão longe eu fico da tua pureza, minha nascente.
Como eu queria voltar a encontrar-te! Queria dizer-te: - Olha voltei, sacudi todas as impurezas, venci todas as “vagas”, encontrei o caminho, acolhe-me que sou outra vez a pequena gota de água pura da minha infância.
Preciso de ti, como outrora, eu sou frágil, indefesa, ignorante, carente do teu Amor, da tua Fé, da tua Frescura, da tua Sabedoria.
Quero ficar para sempre contigo, contigo caminhar, para o Grande Porto de Abrigo, ao encontro d’Aquele, que é o Senhor de todos os mares, de todos os regatos, de todas as nascentes.
Minha nascente de água pura e cristalina, Mãe querida do meu coração, minha Mestra, minha Amiga.
Por tudo aquilo que ainda sou e a ti devo, por tudo aquilo que não sou mas queria ser, por todos aqueles anos da minha infância, o meu profundo respeito, a minha eterna gratidão, a minha imensa ternura.

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